Fábio Carvalho
Escrito por Por Fábio Carvalho, José Franco e João Lucas Brana
Um trabalhou como vigilante, mas hoje, trabalha no setor
administrativo. Outros dois trabalham na segurança. Em comum, além da
experiência na vigilância, duas outras características chamam atenção: o
longo tempo de Universidade Federal do Acre - Ufac e a reclamação de
que as condições de trabalho não são satisfatórias para um bom exercício
profissional.
Osvaldo da Silva Loyola tem 52 anos e trabalha há 25 anos no setor de
segurança. Para ele, não existe o apoio necessário aos profissionais
que trabalham no ambiente universitário. “Procuramos fazer o máximo que
podemos, dentro das nossas limitações. Nunca tivemos treinamento
acompanhado para executar as funções”, reclama o servidor.
Já Sebastião Teixeira de Oliveira, 65 anos, conta ter entrado para a
Ufac em 1981, como pedreiro. Depois de sete anos, trocou de função para
vigilante e atualmente trabalha no setor administrativo. Ele diz ter
sido afastado da vigilância por problemas de saúde decorrentes da
profissão e afirma que sempre existiu acompanhamento médico, mas que a
carência é grande em outros setores. “Acompanhamento psicológico nós
nunca tivemos. (...) Treinamento de tiros, nós tivemos uma única vez, só
não lembro a data. Foi com a PM mesmo”, conclui.
“Nos últimos 30 anos, nada melhorou aqui, só estacionou”, afirma
Maurício de Vasconcelos, 62 anos. De acordo com ele, um dos grandes
problemas da classe é a escassez de concursos para suprir a falta dos
trabalhadores aposentados ou afastados do serviço. Segundo ele, alguns
novos vigilantes entraram como serviço terceirizado e amenizaram o
problema, mas ainda é pouco para uma instituição do porte da Ufac. “Nós
estamos acabando, morrendo ou se aposentando. (...) Éramos 72, hoje
somos em torno de 22 homens”, ressalta Vasconcelos.
Para verificar as informações, a Prefeita da Universidade foi
procurada, mas em nenhuma tentativa foi encontrada para fornecer a
posição da Ufac sobre as questões. A assessoria de comunicação também
não respondeu à equipe de reportagem.
Matéria originalmente publicada no site A Catraia
Fábio Carvalho
Em contraste com a imensidão da floresta amazônica presente no Acre, o
deserto americano foi palco de mais um grande êxito tecnológico
acreano. O Estado foi apresentado no IBM IMPACT 2012, uma Conferência
Global da IBM, realizada de 29 de abril a 04 deste mês, em Las Vegas, no
Estado de Nevada, Estados Unidos.
Na oportunidade, o Projeto Cadastro Único, implantado pela Diretoria
de Modernização Administrativa (DMA) da SEPLAN, foi apresentado ao
público de quase nove mil pessoas e possibilitou que o governo do Acre
fosse elevado à categoria de "Case Smart Planet" (Caso de Planeta
Inteligente).
O Projeto Cadastro Único, prioritário para o programa Governo Único,
conta com três grandes frentes desenvolvidas pela DMA: Portal de
Atendimento Multisserviço, Plataforma de Integração e Base Única do
Cidadão. Em conjunto, essas frentes permitiram o desenvolvimento do
portal para atender a Central de Atendimento de Rio Branco e de Xapuri,
tornando-as referência em inovação tecnológica para o atendimento ao
público. O Arquiteto de Soluções de Colaboração para a América Latina da
IBM, Rafael Osório, afirma que as soluções adquiridas pelo governo do
Acre permitiram o desenvolvimento de um projeto inovador em todo o
mundo. "Esse é um caso singular de aplicação da arquitetura SOA na
melhoria do atendimento ao cidadão", reconhece Osório.
Com o sucesso do projeto, o governo do Acre passa a ser reconhecido
como um "Case Smart Planet", denominação dada pela IBM para reconhecer
casos de uso inteligente da tecnologia em esfera global.
Para Kátia Dotto, coordenadora do Projeto Cadastro Único e chefe da
Divisão de Gestão de Informação da DMA, que representou o governo do
Acre nos EUA, a participação do Estado como um caso de sucesso em um
evento mundial foi muito importante. "Esse projeto passou por um
processo de avaliação, concorrendo com outros, e foi aprovado como caso
de Planeta Inteligente, comprovando que o Estado está investindo em
recursos tecnológicos para ofertar serviços diferenciados ao cidadão,
com maior eficiência e agilidade, buscando sempre a melhoria e a redução
de gastos públicos devido à otimização de processos de trabalho",
explicou Dotto ao retornar da viagem.
Para ela, o governo do Acre vem trabalhando no intuito de ampliar os
projetos, potencializar e inovar ainda mais a gestão interna do Estado,
analisando e definindo as possibilidades de aplicação e expansão. "Esses
recursos tecnológicos vão propiciar novas formas de acompanhamento dos
processos de trabalho, maior redução de gastos e a modernização de
várias áreas de governo, além de outras inovações na prestação de
serviço público", afirmou.
Para Marcus Bignon, gerente de Desenvolvimento, da RioCard TI, do Rio
de Janeiro, a participação de projetos de governo em eventos
internacionais demonstra o investimento que é feito em tecnologia da
informação, com foco em resultados para o Estado e, principalmente, para
os cidadãos", afirma.
Quem também estava na apresentação em Las Vegas foi o diretor de
soluções especializadas da BRQ, Fábio Hasegawa, que aponta a
participação acreana como um caso único no mundo. "É a consolidação e
comprovação de que as soluções atualmente adotadas por órgãos do governo
estão, se não mais adiantadas, no mesmo nível que a adoção de novas
tecnologias e práticas na iniciativa privada."
Para ele, esse reconhecimento mundial é gratificante, já que existe
uma avaliação extremamente rigorosa que engloba diversas variáveis tais
como inovação, relevância e impacto. "Vale lembrar que várias empresas e
órgãos do mundo todo submetem solicitações para palestrarem, mas apenas
um pequeno número é aprovado. Nesse contexto, ter um case de um órgão
do governo brasileiro é muito gratificante, já que denota claramente a
expressão e competência do projeto e o eleva ao nível dos melhores
projetos executados em diferentes segmentos e alto nível de padrão
mundial."
Fábio afirma também ter gostado da forma descontraída e bastante
didática da apresentação acreana, quebrando barreiras culturais e
linguísticas. "A forma de apresentação foi inclusive elogiada por outras
pessoas com as quais tive oportunidade de conversar", lembra. Para
Hasegawa, foi perceptível uma visão exata dos processos e dos benefícios
obtidos na redução do tempo de atendimento e qualidade dos serviços aos
cidadãos do Acre. "Gostaria de deixar mais uma vez a minha
congratulação aos palestrantes Kátia Dotto/Seplan e Rafael Osório/IBM,
por terem enriquecido o evento com um 'case' tupiniquim com cunho tão
importante de inovação tecnológica, e que se expõe não somente devido a
essa dimensão mais ao benefício que a tecnologia pode trazer em prol do
cidadão, e de como o governo enxerga e respeita seu povo", complementou o
Diretor de Soluções da BRQ.
Saiba mais sobre o IBM IMPACT 2012
Fábio Carvalho
Interessante entrevista conduzida pelo jornalista Celso Callegaro, do Além do Lead com a colunista da Folha de S. Paulo Eliane Cantanhêde, buscando amparo na experiência esta jornalista, que iniciou sua carreira antes do advento do online e que precisou passar por esse processo de transição.
Fábio Carvalho
Fábio Carvalho (Seplan)
O Floresta Digital se consolidou como um exemplo de democratização da
informação e inclusão para a população do Acre. O programa atende hoje
quase 60 mil usuários cadastrados e atinge, através de diferentes
serviços, mais de meio milhão de acessos, entre cadastros para
utilização da internet e serviços prestados nos telecentros.
Para implantá-lo, o governo do Estado investiu R$ 7,5 milhões - um
investimento baixo, considerando o ganho revertido para a população em
serviços diretos e indiretos de acesso à internet: sinal do Floresta
Digital nas residências, através da antena corretamente instalada,
cursos e oficinas nos telecentros e o recém-disponibilizado Portal de
Ensino a Distância.
Apenas em um dos rádios localizados no bairro Irineu Serra,
disponibilizado para atender uma pequena comunidade (foto 1), há
diariamente uma média de 20 pessoas acessando a internet, com tempo
médio de três horas de navegação. Com velocidade entre 380 e 420kb,
alguns desses usuários chegam a realizar um tráfego de downloads de mais
de 30 Gb por mês, comprovando o acesso da região ao serviço oferecido
pelo Floresta Digital. “O que acontece é que muitas vezes o usuário está
com má instalação do equipamento ou apontando para o lugar errado.
Dessa forma, ele não consegue captar o sinal emitido”, esclarece Silmar
Antônio, diretor do Floresta Digital.
No
exato momento da entrevista com Silmar Antônio, havia quinze pessoas
conectadas por meio do ponto do Floresta Digital no Irineu Serra (Foto:
Assessoria Seplan)
Na região de Sena Madureira, só no mês de março, 381 pessoas usaram o
serviço, realizando quase onze mil conexões. O sinal de internet foi
liberado no município a partir de novembro e desde então só sofreu corte
na transmissão em decorrência da falta de energia elétrica no
município, operando com uma média de 1,5 Mb e picos de 2,92 Mb. Apenas
nas últimas oito horas (dados coletados às 22hs do dia 18/04) o pico
ultrapassou os 3,85 Mb, números similares aos registrados na última hora
(vide Gráficos).
Atualmente, o programa está passando por uma nova fase, voltada à
aproximação com o cidadão, em busca de melhores resultados. Como o
principal motivo da falta de acesso é a dificuldade para que os usuários
instalem corretamente suas antenas, o Floresta Digital preparou uma
equipe e há alguns meses vem realizando um trabalho de visitação
técnica, indo à casa dos usuários e ensinando a forma correta de
instalação e uso da antena. “Houve um temporal forte e arrancou minha
antena, e depois disso não consegui mais acessar a internet. Agora eu
consigo todos os dias, pois os técnicos vieram aqui e identificaram o
problema”, disse Josimar Lima de Almeida, comerciante e residente no
bairro Boa União.
Outra moradora da região, Cristina Belo, 23, teve a mesma
experiência. “Antes eu só conseguia acessar a internet de manhã. Agora,
depois que recebi a visita e eles arrumaram a antena para mim, eu acesso
todo dia, a qualquer hora”, comemora a usuária. “Estou muito feliz
agora, pois eu precisava muito da internet. Eles disseram que ela estava
apontando para o lugar errado, muito para baixo. E depois eles ainda
voltaram para ver se continuava pegando bem”, conta Cristina, relatando
um problema simples, que muitas vezes compromete a qualidade do sinal.
No último ano, a velocidade média da internet do Floresta Digital
dobrou, passando de pouco mais de 200kb para mais de 400kb, e novos
pontos de acesso foram implantados. Embora a equipe do programa esteja
trabalhando para melhorar os serviços, ainda há dificuldades. Uma delas
ocorreu recentemente no município de Tarauacá, quando o cabo subterrâneo
de energia elétrica foi rompido, em três ocasiões e locais diferentes,
impossibilitando a continuidade do serviço. Para resolver o problema, os
cabos de energia estão sendo trocados e reforçados com um cabo de aço
suspenso.
Projeto Baixada
“A cidade é um organismo vivo”, definiu Carlos Alberto Rebello,
assessor especial do governo. Ele explica que muitas vezes o sinal do
Floresta Digital acaba sendo prejudicado pelo crescimento da cidade, com
paredes sendo levantadas, árvores crescendo e obstáculos interrompendo o
sinal, que antes era livre de barreiras. “Tudo isso influi na
velocidade de conexão, por isso nossa equipe está a campo para realizar o
mapeamento e proceder a novos ajustes no programa”, ressalta. O
assessor explica que a Baixada da Sobral está sendo um piloto para essa
revisão do Floresta Digital.
De acordo com Paulo Roberto Ruela, consultor de redes da Diretoria de
Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC) da Seplan, além da
elevação dos pontos de acesso visando facilitar a captação do sinal
pelas antenas domésticas, também estão sendo instalados na região novos
equipamentos, como Rádio Painéis e Pontos de Acesso. “É importante
lembrar que esse processo de aprendizagem e melhorias será replicado nos
outros locais. Esse é apenas nosso ponto inicial”, afirma.
De acordo com a DTIC, a Praça Joaquim Macedo está sendo preparada
para oferecer internet gratuita através de Hotspots (pontos de acesso),
possibilitando entrar na internet sem a necessidade de antenas, apenas
com notebooks ou celulares, como ocorre em outros pontos da cidade, a
exemplo da Biblioteca Pública.
Telecentros e cursos a distância
Nos telecentros do Floresta Digital, mais de seis mil pessoas puderam
se qualificar, participando de cursos e oficinas gratuitas. "Sem os
telecentros, pessoas humildes, que não podem pagar escolas de
informática, não poderiam ter realizado seus cursos", afirma Paulo
Henrique Oliveira chefe da Divisão de Inclusão Digital da Seplan. De
acordo com ele, são mais de 60 mil cadastros realizados apenas para os
telecentros, além do Floresta Digital, que têm a mesma proporção. “Já
são quase seiscentos mil os números de acessos realizados nos
telecentros. Imagine esse montante impedido de exercer esse direito por
não poder pagar pelo serviço?”, defende Oliveira.
Fazendo intermédio entre o acesso à internet proporcionada pelos
Hotspots e os cursos oferecidos nos telecentros, que hoje já somam mais
de seis mil formados, a Diretoria de Modernização Administrativa (DMA),
também da Seplan, lançou este mês o Portal de Ensino a Distância do
Floresta Digital. O portal está aberto à comunidade e pode ser acessado
no endereço www.ead.florestadigital.ac. gov.br,
precisando apenas do cadastro no Floresta Digital. Um dos cursos que
estão em desenvolvimento é o de “instalação da antena”, que irá auxiliar
o usuário a instalar e configurar corretamente sua antena.



